quarta-feira, 23 de março de 2016

145 Anos: Viva a Comuna!



Paris, capital da França. Paris da grande Revolução Francesa de 1789, onde os reis foram enforcados e a igreja expulsa do Estado.
Paris, a cidade luz. Paris, a capital do mundo. Há 145 anos ocorreram nesta cidade fatos grandiosos. Acontecimentos de que toda a classe operária, os trabalhadores de todo o mundo, devem orgulhar-se.

Em Paris, pela primeira vez na história os operários tomaram o poder e instalaram um governo dos trabalhadores.

O primeiro governo operário da história durou exatos 72 dias, de 18 de março à 28 de maio de 1871. Ele foi derrubado e afogado em sangue pela burguesia francesa aliada com as burguesias de toda a Europa.

Mas, durante os heróicos 72 dias em que a classe operária dominou Paris, ela mostrou o caminho aos operários de todos os países.

Esta é a herança da comuna de Paris.
O Fim da Era dos Reis


A revolução, que derrubou a monarquia e proclamou a República, ocorreu no final do século 18, em 1789, quando a aristocracia, como classe, estava em agonia. Uma nova classe social estava se desenvolvendo poderosamente: a burguesia. O período das Grandes Navegações, o comércio em ascensão, o início da industrialização, estavam concentrando as riquezas nas mãos de pessoas não pertencentes à nobreza e ao clero.

Até então dominavam tudo, os reis, nobres e padres, que viviam as custas de uma ordem econômica chamada feudalismo.

O feudalismo se baseava no domínio de um feudo (uma região) por um nobre, onde o povo trabalhador não tinha praticamente direito algum. Apenas obedecia. Todo o poder se concentrava nas mãos do rei, que com a ajuda da igreja perpetuava seu domínio.

No entanto este domínio começou a declinar e a entrar em crise na mesma medida em que a burguesia se desenvolvia e concentrava em suas mãos, mais e mais, a riqueza produzida pela sociedade. A maneira encontrada pela monarquia para manter seus privilégios era explorar ainda mais a população. E enquanto o povo afundava na miséria, o clero e a nobreza esbanjavam e viviam cercados de privilégios. Como sempre, para garantir esta situação os governos se baseavam na violência para reprimir a rebeldia, para reprimir a luta pela independência e pela liberdade.

Mas a tirania estava no seu limite.

Em 1789, o povo de Paris em armas se insurge contra a ordem estabelecida e põe fim à monarquia. A tomada da Bastilha marcou esta autêntica revolução que encerrou um capítulo da história. Foi proclamada a República burguesa, capitalista.

Esta revolução popular acabou com a tirania absolutista e levou ao poder uma nova classe, a burguesia, que prometia Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Mas não tardou para que a nova classe dominante se distanciasse do povo e se organizasse contra ele.

O povo que derrubou a monarquia queria uma República Social. A burguesia, entretanto, só queria organizar melhor os seus negócios e por isso precisava de um regime seu, de um governo próprio.

Mas, o povo queria sair da miséria.

Um impasse se instala. O povo quer avançar, quer ir mais longe do que querem os burgueses. Para resolver a situação a burguesia instala um regime forte capaz de controlar o povo e permitir que seus negócios se expandam. É o governo de Napoleão Bonaparte.

Mas, nenhum regime poderia liquidar os desejos libertários do povo trabalhador, tão fortalecido durante a revolução de 1789. A luta entre a burguesia e o povo se desenvolve e se torna aguda. Novas insurreições, novas revoluções, virão. Só que agora as revoluções serão de outro tipo. Serão revoluções que buscam acabar com toda a opressão e exploração

A Classe Operária Entra em Cena


Napoleão no poder, empreende uma série de guerras de conquista com o objetivo de ampliar o poderio econômico francês e liquidar as economias feudais concorrentes. Era preciso reorganizar toda a economia europeia segundo os interesses da burguesia.

É nesta época que se inicia o que se chamou de revolução industrial, que destrói o antigo sistema artesanal de produção e o substitui pelo sistema industrial com o uso da máquina.

Nas grandes cidades, como Londres e Paris, desenvolvem-se grandes indústrias empregando milhares de operários. Estes operários trabalhavam de 16 a 18 horas por dia, em condições insalubres, com salários miseráveis e nenhuma segurança. Era comum os operários morrerem sobre as máquinas.

Nesta época não existe diferença entre o homem trabalhador, o miserável e o criminoso.

A luta contra estas condições de vida e trabalho provocam muitos conflitos abertos entre os trabalhadores e os poderosos.

Foi a época das lutas de barricadas nas ruas, das primeiras insurreições operárias em busca de emancipação.

Em 1848, os operários de Paris tentam pela primeira vez tomar o poder e são massacrados sem piedade. Mas isto os prepara para acontecimentos ainda maiores. Acontecimentos que honrarão para sempre a classe operária da França.




A Preparação para a Comuna


Paris, no começo do século 19 era uma cidade populosa e o povo muito pobre.

Residiam em casas minúsculas, apertados em ruas sujas, sem nenhum conforto, faltando comida. Os que viam Paris olhavam para aquela multidão e viam o desespero e a revolta, que se tornava cada dia mais evidente e iminente.

Neste momento o Exército prussiano marcha sobre a França. Avançam destroçando o exército regular francês e tomando quase todo o território do país.

Até mesmo o governante frances, Napoleão III, é feito prisioneiro.

Foi então que, com o governo francês em pânico, mais de 200 mil trabalhadores de Paris receberam armas e passaram a fazer parte da Guarda Nacional. Este fato inédito, o povo em armas, mudaria o rumo dos acontecimentos.

A agitação se desenvolve na Paris cercada e é proclamada a República em setembro de l870.

Os republicanos da ordem, republicanos burgueses, passam a comandar um Governo de Defesa Nacional. Mas buscam um acordo com Bismarck, o governante da Prússia, que encerrasse a guerra. O governo de Defesa Nacional decide dissolver-se e convoca eleições para uma Assembléia Nacional que firmasse a paz. O acordo firmado afinal com Bismarck prevê o pagamento de pesadas indenizações territoriais e financeiras, que obviamente recairiam sobre as costas do povo francês.

Em Paris, a Guarda Nacional armada recebe tal noticia de rendição como uma traição. E recusa-se a entregar as suas armas.

A eleição da Assembléia Nacional é realizada e são eleitos representantes de todas as posições políticas; monarquistas, republicanos, revolucionários, etc., mas são os reacionários que a dominam globalmente. Toda a burguesia quer desarmar os operários de Paris, e conspirando com Bismarck contra seu próprio povo, transfere a Assembléia Nacional para Versalhes. O centro reacionário desloca-se assim para fora da cidade armada enquanto prepara o massacre do povo. Com isso a Guarda Nacional tornou-se definitivamente operária.

O Assalto aos Céus


A Comuna surgiu espontaneamente, ninguém a preparou consciente, metódicamente.

A guerra infeliz com a Alemanha; os sofrimentos do cerco pelo exército inimigo, o desemprego do proletariado e a ruína da pequena-burguesia; a indignação das massas contra as classes dominantes e as autoridades que haviam dado provas de uma incapacidade absoluta; uma surda efervescência no seio da classe operária descontente com a situação e ansiosa de um novo regime social, a composição reacionária da Assembléia Nacional que fazia temer pelos destinos da República, outros fatores se conjugavam para impelir a população de Paris à revolução. E foi a revolução que pôs, inesperadamente, o poder nas mãos da Guarda Nacional, da classe operária e da pequena burguesia que se colocara ao seu lado.

Foi um acontecimento histórico sem precedentes. Até então o poder estava, em geral, nas mãos dos latifundiários, dos nobres, do clero, e dos capitalistas ou melhor, nas mãos de seus homens de confiança, aqueles que constituíam seus governos.

Depois da insurreição de 18 de março, quando o governo de Thiers fugiu de Paris com suas tropas, seus funcionários e sua polícia, o povo ficou dono da situação e o poder passou às mãos do proletariado. A Guarda Nacional convoca eleições para a Comuna de Paris e ela é proclamada em 28 de março de 1871. Apesar da guerra, do cerco, e de Versalhes, a cidade é uma festa.

A Comuna, a principio, foi um movimento extremamente confuso e heterogêneo. A ele, aderiram também os patriotas na esperança de que a Comuna retomasse a guerra contra os alemães e a levasse a bom termo. Apoiaram-na igualmente os pequenos comerciantes ameaçados de ruína se o pagamento das Letras e das rendas não fosse suspenso (o que o governo recusara a Comuna concedeu). Por último também os republicanos simpatizaram de início com a Comuna, temendo que a reacionária Assembéia Nacional restabelecesse a monarquia. Contudo o papel fundamental no movimento foi desempenhado pelos operários.

Só os operários permaneceram fiéis à Comuna até o fim. Os republicanos burgueses e a pequena burguesia desligaram-se bem cedo; uns assustados com o caráter proletário, socialista e revolucionário do movimento, outros quando o viram condenado à derrota

Apenas os proletários apoiaram sem medo e sem desânimo o seu governo, só eles combateram e morreram por ele, isto é, pela emancipação da classe operária, por um futuro sem opressão e exploração.

Pois a Comuna teve que reconhecer, desde logo, que a classe operária uma vez chegada à dominação não podia continuar a administrar com a velha máquina do Estado. Era preciso, para não perder o que se tinha conquistado, eliminar a velha maquinaria de opressão até ai utilizada contra a classe operária e estabelecer a sua própria. Isto foi feito elegendo um governo e representantes revogáveis a qualquer momento, constituindo um governo que fosse ao mesmo tempo legislativo e executivo, com o mínimo de burocracia.

Mas na sociedade moderna o proletariado economicamente submetido à burguesia não pode dominar politicamente se não romper as cadeias que o prendem ao capital. Daí que o movimento da Comuna procurou destruir as bases de domínio da burguesia adotando medidas como o decreto pelo qual todas as fábricas e oficinas abandonadas ou paralisadas pelos proprietários eram entregues às cooperativas operárias.

E para sublinhar o seu próprio caráter autenticamente democrático, proletário, a comuna decidiu que a remuneração de todos os funcionários da administração e do governo não fosse superior ao salário de um operário.

O governo da Comuna é constituído de delegados escolhidos nos diversos bairros de Paris. Assim quase 70 delegados formavam ao mesmo tempo executivo e legislativo da comuna.

E este governo operário, apesar das condições tão desfavoráveis e da brevidade da sua existência chegou a tomar algumas medidas que mostram bem o seu verdadeiro sentido e objetivos.

A Comuna substituiu o exército permanente, pelo armamento geral do povo, proclamou a separação da Igreja e do Estado, declarou educação pública e gratuita, proibiu o trabalho noturno e o sistema de multas que era aplicado aos operários foi abolido.

São abolidas todas as antigas autoridades, como juízes tribunais, câmara municipal, a polícia, etc. No lugar das antigas autoridades estabelece-se a gestão popular de todos os meios de vida coletiva, bem como é decretado como gratuito tudo o que é necessário à sobrevivência, assim como os serviços públicos. São expropriados os solos em geral e então são comunizados. A habitação é um direito de todos e portanto residências secundárias não utilizadas são ocupadas. Trens, metrôs, e os outros meios de transporte são gratuitos. As ruas são propriedades dos pedestres e os veículos só podem ser usados nas regiões periféricas da cidade. O tempo de trabalho deve diminuir e os parasitas tem que ser combatidos. Estabelece-se a aposentadoria aos 55 de idade. A escola autoritária é abolida e os estudantes podem decidir o que vão aprender. É proclamada a igualdade entre o homem e a mulher. É proclamado o direito ao aborto, à anti-concepção e à livre informação sexual. É abolida a pena de morte e declarada a anistia geral, o fim de toda censura seja de ordem política moral ou religiosa. E dissolvida a polícia e em seu lugar são criadas milícias populares nos bairros com homens e mulheres voluntários.

A Comuna é Internacional


A Comuna despertou a solidariedade internacional dos trabalhadores de forma viva. A luta dos operários franceses foi saudada em todos os lugares com manifestações de apoio.

A Associação Internacional dos Trabalhadores organizou uma intensa campanha de solidariedade com o objetivo de destruir o muro de calúnias que a burguesia levantava contra o povo de Paris. Na Inglaterra, Bélgica, Alemanha, Suiça e outros países, assembleias e atos públicos foram realizados. A classe operária mostrava que era internacional e que sua luta era a mesma em todos os lugares.

A Derrota da Comuna


Todas as medidas tomadas pela Comuna mostram que ela constitui uma ameaça mortal para o velho mundo fundado na opressão e exploração. Eis a razão pela qual a sociedade burguesa não podia dormir tranquilamente enquanto a bandeira vermelha do proletariado francês flutuasse na câmara municipal de Paris.

A burguesia francesa alia-se a Bismarck contra a Paris revolucionária, abertamente. O exército alemão liberta 100 mil prisioneiros para que sejam reorganizados para marchar sobre os revolucionários. Em 21 de maio as tropas do governo burguês de Versalhes atacam Paris. Os combates duram sete dias. Em 28 de maio a cidade estava banhada em sangue.

Apesar de toda a vontade e determinação de defender sua Comuna o povo parisiense não tem preparação militar para isso. A Guarda Nacional é composta por voluntários, homens e mulheres que dão a vida nas barricadas.

O exército de Versalhes avança pouco a pouco destruindo barricadas, casas, construções. Os prisioneiros são sistematicamente fuzilados.

E quando por fim as forças governamentais organizadas conseguiram dominar as forças mal organizadas da revolução, os generais bonapartistas, que se renderam aos alemães, mas valentes contra seus compatriotas vencidos, fizeram uma carnificina como Paris jamais vira.

Foram massacrados 40.000 parisienses, perto de 45.000 foram presos sendo uma parte executada e outra desterrada ou enviada para trabalhos forçados. No total Paris perdeu 100.000 de seus filhos, e entre eles os melhores operários de todas as profissões.

A burguesia de toda a Europa exultava. Acabou-se com o socialismo por muito tempo, diziam.

A Comuna Não Morreu


Nem seis anos se passaram do esmagamento da Comuna e já na França renascia o movimento operário. A nova geração socialista enriquecida pela experiência e de maneira nenhuma desencorajada pela derrota, apoderou-se da bandeira caída das mãos dos combatentes da Comuna e levou-a para a frente com firmeza e audácia aos gritos de "Viva a Revolução Social", "Viva a Comuna!".

Nove ou dez anos após o esmagamento da Comuna o surgimento de um novo partido operário e a agitação que ele desencadeava no país obrigaram as classes dominantes a pôr em liberdade os "Comunards" presos.

A Herança da Comuna de Paris


A memória dos combatentes da Comuna não é apenas venerada pelos trabalhadores franceses mas também pelos trabalhadores de todo o mundo, porque a comuna não lutou por um objetivo local ou estritamente nacional, mas pela emancipação da Humanidade, de todos os humilhados e explorados.Combatente de vanguarda da revolução social a Comuna é amada onde quer que o proletariado sofra e lute.

A imagem da vida e da morte do governo operário que conquistou e reteve durante mais de 2 meses a capital do mundo, o espetáculo da luta heróica do proletariado e dos sofrimentos após a derrota, tudo isso levantou a moral de milhões de operários, fez renascer as suas esperanças e ganhou para o socialismo as suas simpatias. Por isso a obra da Comuna não morreu, ela continua viva em cada um de nós.

A causa da Comuna é a causa da revolução social, é a causa da total emancipação política e econômica dos trabalhadores, é a causa do proletariado mundial. E neste sentido é imortal.

O Governo dos Conselhos, criação da Comuna, que reapareceria na Rússia revolucionária em 1905, e depois em 1917, é uma conquista da classe operária de todo o mundo. O ribombar dos canhões de Paris despertou de seu sono profundo as camadas mais atrasadas do proletariado, e deu por toda parte um impulso à propaganda socialista revolucionária.

August Bebel, deputado revolucionário alemão, no auge do massacre da Comuna declarou no parlamento:

"Meus senhores! Por mais condenáveis que possam ser aos vossos olhos as aspirações da Comuna podeis estar firmemente certos de que todo o proletariado europeu e todos os que levam ainda no peito um sentimento pela liberdade e a independência olham para Paris...
...E mesmo que neste momento Paris esteja sendo esmagada recordo-vos que...o principal, na Europa, ainda está por vir e que antes de passarem algumas décadas o grito de combate do proletariado parisiense - "Guerra aos Palácios, Paz as Choupanas, Abaixo a Miséria e a Ociosidade!" - se tornará o grito de combate de todo o proletariado europeu!"

Este, hoje, é o grito de guerra dos trabalhadores de todo o mundo. No Brasil, na Venezuela, no Egito e na Tunísia, na Grécia, na Espanha e na França, em todos os lugares a bandeira vermelha da Comuna flutua nas mãos dos revolucionários.

Proletários de todo o mundo, uni-vos!




A Comuna Vive!

Grave Geral de Massas na França!!!

Em 9 de março, meio milhão de trabalhadores e jovens tomaram as ruas de toda a França, protestando contra o ataque sem precedentes do governo “socialista” às leis trabalhistas. Novos protestos ocorreram em 17 de março.

Como sempre, os reformistas terminaram sendo manobrados pelo sistema que procuram manobrar. O presidente François Hollande serviu de precursor para Tsipras do SYRIZA, como um líder reformista exposto pela crise capitalista como um “Imperador nu”. Dois anos depois de sua eleição, ele recuou da proposta de impostos de até 75% sobre as rendas. Até o momento, distribuiu mais de 40 bilhões de euros em incentivos fiscais corporativos.

Hollande agora enfrenta uma economia estagnada, com 10% de desemprego, que aumenta para 24% entre a juventude. Numa tentativa de melhorar a economia, e com as ideias em bancarrota, Hollande se baseou abertamente no programa dos capitalistas. Mesmo Sarkozy nunca tentou acabar com a semana de 35 horas, introduzida pelo Partido Socialista somente no ano de 2000 (embora frequentemente falasse em fazer isto).

O projeto de lei El Khomri


O projeto de lei que os socialistas estão tentando aprovar através do parlamento, redigido pelo ministro do trabalho, Myriam El Khomri, teria profundas consequências sobre os salários, jornada de trabalho e direitos dos trabalhadores em geral. O projeto de lei visa aliviar o capitalismo francês das condições estabelecidas pelas atuais leis trabalhistas. Ele permitiria às empresas francesas negociar mais horas de trabalho e horas-extras com os sindicatos. Os trabalhadores poderiam se ver obrigados a trabalhar até 45 horas, com corte de pagamento de horas-extras para o trabalho acima das 35 horas.

Às empresas francesas também seria dada maior liberdade para encurtar horas e reduzir o pagamento, o que só podem fazer atualmente em tempos de “sérias dificuldades econômicas”. O ministro francês da economia, Emmanuel Macron, classificou isto como “o fim de fato da semana de trabalho de 35 horas”.

A nova lei tornaria mais fácil demitir trabalhadores. De acordo com os capitalistas, as leis trabalhistas existentes “desencorajam o negócio” de criar empregos permanentes. Eles dizem que a razão pela qual um grande número de trabalhadores jovens está em contratos temporários é porque, sob as leis francesas, empregos permanentes sãodemasiado permanentes.

Para resolver o “problema”, a nova lei vai limitar os prêmios às demissões abusivas. Isto permitirá que o patrão calcule o custo da demissão dos empregados problemáticos, liberando postos de trabalho para a futura geração! Nas negociações, se nenhum acordo for alcançado, o sindicato será contornado pelos patrões e os trabalhadores serão consultados diretamente em um referendo vinculante.

Contudo, a classe dominante pode se arrepender ao abrir seu caminho neste último ponto. Os sindicatos são a principal posição de organização para a maioria dos trabalhadores na luta de classes. Atualmente, a sindicalização na França é de apenas 8%. No entanto, as fileiras estão frequentemente muito à esquerda de seus representantes. A classe dominante subestima os trabalhadores, para os quais têm apenas desprezo aristocrático. Mas lançando toda a força de trabalho em um referendo sobre termos e condições, poderiam obter mais do que esperavam.

Para aumentar a competição entre os trabalhadores, o projeto de lei El Khomri busca minar as negociações conduzidas pela indústria, substituindo-as por negociações no nível de empresa. Modelo similar está sendo aplicado no sistema escolar inglês – a criação de escolas independentes, livres do currículo nacional, criando condições desiguais destinadas a fragmentar as negociações do setor por parte dos professores. Em “circunstâncias excepcionais”, os funcionários poderiam trabalhar até 60 horas semanais. O levantamento das restrições às demissões e ao trabalho doméstico e noturno também faz parte do projeto de lei El Khomri.

O trabalhador médio francês produz 45,6 euros por hora, de acordo com Eurostat [estatísticas oficiais da União Europeia – NDT], e trabalha 1.661 horas por ano. Isto significa que gera aproximadamente 76 mil euros por ano para o patrão. No entanto, em 2014, seu custo médio era somente de 29,7 mil euros. Significando que ele gera um lucro de mais de 45 mil euros para os capitalistas.

A despeito disso, e dos trabalhadores franceses estarem entre os mais produtivos da Europa, trabalham 186 horas a menos que os alemães, e 239 horas a menos que os britânicos. Isto não é suficiente para o capitalismo francês, que exige que se esprema mais excedentes dos trabalhadores.

O que é mais importante, a derrota ou o enfraquecimento da semana de 35 horas é vista como simbolicamente importante pela classe dominante. Assinalaria uma vitória para a classe dos patrões e uma luz verde para uma ofensiva contra os trabalhadores na luta pela mão-de-obra barata na França.

EDF


O recente acordo na empresa estatal EDF, envolvendo significativos 30 mil trabalhadores, estabelece as bases para novos ataques. Os trabalhadores da EDF cederam parte de seu pagamento de férias de dez semanas em troca de uma subida salarial. O acordo é opcional, reversível e não está aberto aos trabalhadores de “colarinho azul”.

Mas, como assinala perspicazmente Financial Times (FT), “... seu real significado, contudo, reside no precedente que senta para os empregadores e os sindicatos acordarem reformas substantivas no nível da empresa”.

A média de 39,5 horas trabalhadas pelos trabalhadores de “colarinho branco” da EDF foi compensada por um período adicional de 23 dias de descanso ao ano, ademais da norma de 27. Contudo, EDF recentemente negociou entre 7 e 16 dias por ano a menos de férias anuais para os trabalhadores. Isto foi compensado por um aumento salarial de 7,5%. Vai significar que os trabalhadores de EDF trabalharão muito mais do que o limite médio de 35 horas semanais durante o curso de um ano. Isto estabelece um precedente para os capitalistas franceses seguir.

9 de março


Uma petição online exigindo que o governo abandone o projeto de lei ganhou enormes 1,3 milhões de assinaturas. Isto preparou o terreno para os protestos de 9 de março, convocados pelos estudantes e pelos sindicatos.

A unidade dos estudantes e das fileiras sindicais dos trabalhadores foi imediata a partir do dia 9. Os estudantes convocaram demonstrações semanais, que têm a participação de muitos trabalhadores, e os trabalhadores também têm falado nas Assembleias Gerais dos estudantes. Os líderes sindicais têm sido um pouco frios em seu apoio. Contudo, isto marca o início de uma coordenação nacional dos estudantes.

De acordo com FT: “Diversos distritos eleitorais estão se unindo em protesto, unidos pela insatisfação com a presidência claudicante de François Hollande”. A taxa de aprovação de Hollande atualmente é de 15%, a mais baixa de qualquer presidente em 50 anos.

Os trabalhadores, os desempregados e os jovens tomaram as ruas em 9 de março em mais de duzentas cidades por toda a França em oposição ao projeto de lei. Em Paris, entre 80 mil e 100 mil pessoas saíram no frio e na chuva. Isto coincidiu com uma greve ferroviária que fechou um terço dos trens em Paris naquele dia. Os manifestantes na Praça da República gritavam palavras de ordem como “Loi El Khomri, Vie pourrie”, que se traduz assim: “Lei El Khomri, Vida podre”.

A própria associação de estudantes do Partido Socialista, UNEF, desempenhou um papel de liderança. Cerca de cem escolas de ensino médio da França foram fechadas pelos estudantes barricando as entradas com latas de lixo. A presença da juventude não é surpreendente, considerando as condições enfrentadas pelos trabalhadores jovens: um em cada quatro está desempregado, o trabalho disponível é precário e a habitação é cara. Estão revoltados com a elite política e rejeitam seus argumentos quando dizem que os jovens deviam ser forçados a renunciar à segurança das leis trabalhistas da França.

A Associated Press citou Maryanne Gicquel, um porta-voz da associação de estudantes da escola secundária FIDL. “Ela descreveu a experiência dos jovens no mercado de trabalho como ‘uma sucessão de estágios e empregos mal pagos... Agora, estamos sendo informados de que será mais fácil para as empresas despedir trabalhadores’”.

A BBC relata, “Adolescentes e estudantes estavam entre os milhares que marcharam em Paris cantando slogans como ‘El Khomri, você vai perder, a juventude está nas ruas’, em referência ao ministro do trabalho Myriam El Khomri”. O correspondente da BBC concluiu, “Esta reforma cristalizou todas as forças da esquerda que, embora se sentindo cada vez mais descontentes com a deriva do governo, até agora não tinham uma questão clara em torno da qual se reunir”.

Com este ataque, Hollande unificou todas as forças progressistas na sociedade contra ele. Uma pesquisa recente pelo pesquisador Oxoda descobriu que 70% dos franceses maiores de 18 anos de idade se opõem ao projeto de lei.

Hollande abriu divisões dentro do Partido Socialista (PS), um ano antes das eleições presidenciais de 2017. Dado o seu nível de popularidade, é improvável que seja reeleito, estando tão alienado da base da classe trabalhadora que o levou ao poder. Os trabalhadores mais avançados se afastaram do PS com desgosto, removendo assim qualquer pressão vinda de baixo. Nestas condições, Hollande está livre para agir abertamente como lacaio da burguesia, testando os limites da tolerância dos trabalhadores para com o PS.

A prefeito socialista de Lille, Martine Aubry, em um artigo recente em Le Monde, intitulado “Basta”, ataca o governo, perguntando: “Quem poderia imaginar que facilitando as demissões... encorajaremos o emprego? ”. Ela aduziu que as reformas foram inspiradas pelo “campo oposto” e que significará “... a preparação de um enfraquecimento duradouro da França, e, naturalmente, da esquerda”. O espectro do “PASOK” assombra as socialdemocracias da Europa.

Governo socialista em retirada


O primeiro-ministro, Manuel Valls, teve que adiar o anúncio da lei devido à ameaça de protestos de rua dos sindicatos e estudantes e à dissidência interna dentro de seu próprio partido. Valls propôs mais uma rodada de consultas com os sindicatos e as organizações patronais antes de 24 de março. O governo do PS planeja assegurar aprovação parlamentar do projeto de lei até o Verão.

Em 14 de março, Valls anunciou uma retirada parcial. Anunciou que o projeto de lei não imporá mais limites à quantia que os trabalhadores podem ganhar no caso de demissões injustas. A possibilidade de introduzir práticas flexíveis de trabalho em pequenas e médias empresas foi ligeiramente reduzida, quando se compara com o primeiro rascunho do projeto de lei, embora os principais ataques permaneçam.

Mas as multinacionais ainda serão capazes de cortar empregos mais facilmente em suas operações francesas deficitárias. Um juiz se encarregará de verificar a “lógica financeira” desses cortes. MEDEF, o sindicato patronal, expressou “decepção” com a retirada.

O novo acordo é apoiado pelos sindicatos da CFE-CGC e da CFDT, mas a ex-comunista CGT permanece se opondo. Junto com FO e o maior sindicato estudantil, UNEF, chamaram para que todo o projeto de reforma seja retirado.

“Se o governo insiste em ir em frente com esta reforma, as pessoas necessitam ir para as ruas”, disse o líder da CGT, Philippe Martinez. Uma pesquisa mostra que dois terços das pessoas acreditam que haverá protestos se a lei for aprovada.

17 de março


Uma semana mais tarde os estudantes tomaram as ruas mais uma vez, e mais uma vez se uniram a um forte contingente de trabalhadores. Contudo, sem um claro apelo da liderança nacional da CGT para participar nesta demonstração, não alcançou o tamanho de 9 de março. Mas foi marcada pelo aumento da participação de estudantes e alunos de escolas. Isto é significativo, visto que sublinha o que os marxistas têm destacado há muito tempo, a extrema radicalização da juventude que apenas necessitava de um canal para se expressar.

O movimento está em etapa inicial, mas está se expandindo às universidades e escolas de ensino médio. Os estudantes bloquearam as entradas de 115 escolas de ensino médio por toda a França. Prevalece um sentimento muito radical, que está sendo atingido por provocações, pela polícia antimotim e pelos lock-outs das administrações universitárias – devido ao medo de ver quão longe os estudantes podem ir. Foi precisamente assim que começou Maio de 1968, e os poderosos devem ter tomado nota! Se lançou gás lacrimogênio em Paris, foram realizadas prisões e estudantes foram feridos.

É claro que o governo está desesperado para deter este processo em desenvolvimento, e está fazendo de tudo para separar os trabalhadores dos estudantes radicalizados, temendo o contágio. Assim, ofereceu uma cenoura aos sindicatos na quinta-feira, declarando que iria levantar o congelamento dos salários do setor público que está em vigor desde 2010. Ao mesmo tempo, trataram os estudantes com a vara, tentando sufocar o movimento estudantil através da repressão. Tais esforços serão em vão. A repressão somente radicalizará e mobilizará ainda mais os estudantes. Outra demonstração foi convocada pelos estudantes e pelas organizações da juventude para o dia 24. Esta fará parte da construção da greve geral do dia 31 de março, que promete ser uma gigantesca demonstração de força da classe trabalhadora francesa. Existem todos os elementos para uma conflagração geral.

O presidente François Hollande disse na véspera dos protestos que queria ajudá-los “a ter mais estabilidade no emprego... nós devemos também dar às empresas a oportunidade de recrutar mais, dar a segurança de emprego às pessoas jovens durante toda a vida, e proporcionar estabilidade às empresas. Já tentamos tudo? Vejamos fora da França. O que aconteceu em outros lugares? Todos eles evoluíram, têm todas as coisas”, disse ele.

Nos “outros lugares” da Europa vemos somente precarização extrema, salários congelados, o desmantelamento do estado do bem-estar e austeridade estilo grego. Mas a retórica contraditória do presidente não tem nenhuma consequência para a classe dominante francesa, enquanto lhes serve para obscurecer a questão. Eles entendem que “emprego estável” é incompatível com “flexibilidade para as empresas” no melhor dos tempos capitalistas, e muito menos em meio a uma crise capitalista sem precedentes. Assim que terminarem com o Partido Socialista no próximo ano, a burguesia o descartará como um trapo sujo.

Contudo, a destruição da autoridade do PS, do ponto de vista do burguês, é como cortar o galho onde estão pendurados. Os capitalistas se apoiam na autoridade dos líderes reformistas e usam isto para conseguir que seu próprio programa seja aceito dentro do movimento dos trabalhadores. Contudo, ao fazer isto, também expõem os reformistas. O que estamos testemunhando, portanto, na França é a crise capitalista destruindo a autoridade do reformismo. Este é um fenômeno internacional.

A radicalização da situação está sendo preparada na França. Isto responde a todos os céticos que somente podiam ver “desvios à direita” na França com o crescimento da Frente Nacional de Le Pen. O que está realmente ocorrendo é uma polarização, tanto à direita quanto à esquerda. E o que veremos eventualmente é que as forças de deslocamento à esquerda são muito mais fortes do que as que se movem à direita.

As demonstrações dos dias 9 e 17 de março marcam uma importante adesão dos trabalhadores e da juventude, as forças vivas da sociedade francesa. Os jovens estão lutando sobre questões claras de classe, em apoio aos trabalhadores e em luta por seu futuro. A próxima greve geral produzirá um gigantesco impacto, que vai reverberar através da Europa, adicionando-se ao processo na Espanha, onde anos de protestos eventualmente produziram PODEMOS, ao processo na Grã-Bretanha, onde temos o fenômeno Corbyn, e, por sua vez, vai fortalecer esses processos. Também dará um poderoso impulso aos trabalhadores e à juventude italiana. A maré está virando na França e a onda será sentida internacionalmente.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Jesus Vs Karl Marx!



1) Não pensem que vim trazer paz. Vim trazer a espada. Vim causar a divisão entre filho e pai, filha e mãe, nora e sogra. Criar inimigos dentro da própria casa

( ) Jesus de Nazaré

( ) Karl Marx


2) No final das contas, será muito difícil salvar um rico.

( ) Jesus de Nazaré

( ) Karl Marx


3) Venda tudo o que tem e dê aos pobres.

( ) Jesus de Nazaré

( ) Karl Marx


4) Não importa o quanto você tem. Importa quem você é.

( ) Jesus de Nazaré

( ) Karl Marx




Respostas: 1) Jesus (Mateus 10: 34-39); 2) Jesus (Lucas 18:18-30); 3) Jesus (Mateus 19:21); 4) Jesus (Mateus 6: 19-21)






Se jesus vivesse hoje ele seria Marxista!!!







Jesus é comunista bando de ateus capitalistas!!!


A Verdade Sobre a Epidemia da Dengue no Brasil!!!



A epidemia de dengue está em expansão acelerada. Foram 1,64 milhões de casos, com milhares de internações e 863 óbitos em 2015. Esses números superam qualquer outro ano, em mais de três décadas de dengue no Brasil. Uma vez que a proliferação do mosquito transmissor (Aedes aegypti) segue descontrolada, essa expansão não deveria causar surpresa.

A situação agravou-se com dois outros vírus que também são transmitidos pelo “mosquito do medo”: o zika vírus, que tem fortes indícios de associação com a microcefalia e está aterrorizando mulheres grávidas, e a chikungunya, causadora de uma artrite com dor intensa que pode se arrastar por meses ou anos.

O drama é real, mas a resposta do governo é uma farsa. Em 350 cidades do país, 220 mil soldados do exército não fizeram mais do que distribuir panfletos para “orientar” a população. O Ministro da Economia declarou que dará continuidade ao ajuste fiscal com os cortes no orçamento, mas os recursos para atacar a epidemia serão preservados. Com isso, ele quer tranquilizar a burguesia e, ao mesmo tempo, enganar a população.



Na realidade, só em 2015 foram cortados mais de R$ 9 bilhões do orçamento da saúde. Até para distribuir panfletos, os soldados foram necessários porque a estrutura nacional de vigilância em saúde foi desmantelada com a chamada estratégia de descentralização ou municipalização.

Sem essa estrutura não é possível realizar as ações de combate ao mosquito, com um planejamento unificado em escala nacional. O ministro não precisa fazer o corte de verbas para a vigilância agora, pois o corte já foi feito antes, e já estamos sofrendo as suas consequências.

A “descentralização” foi completada no governo FHC, que demitiu os agentes “mata-mosquitos” da Funasa. Os governos Lula e Dilma nada fizeram para reverter esse ato criminoso contra a saúde pública. Pelo contrário, eles aderiram à retórica demagógica da autonomia e maior eficiência dos municípios.

Essa retórica é uma cortina de fumaça para a política de privatização da saúde, com a terceirização e estímulo aos planos de saúde privados.

Portanto, esse desastre na saúde não é fruto da incompetência dessa ou daquela fração mais estúpida da burguesia. Ele é um resultado do aprofundamento das contradições sociais do capitalismo. Cada vez mais os recursos do Estado têm que ser desviados para manter a reprodução do capital.

Essas contradições são potencializadas nos países atrasados pela debilidade das suas burguesias nacionais, que ocupam uma posição subordinada no mercado mundial. Nas Américas, na África e na Ásia, o Aedes aegypti e a dengue estão prosperando nas regiões tropicais e subtropicais. Segundo a OMS, anualmente ocorrem entre 50 e 100 milhões de casos de dengue, e este número é 30 vezes maior do que há 50 anos.

Com a utilização da tecnologia e dos conhecimentos científicos que já existem atualmente, o combate ao mosquito deveria ser hoje mais fácil, e não mais difícil como alegam os serviçais da burguesia. É pouco divulgado que, na campanha contra a febre amarela, o Aedes aegypti já foi controlado e até erradicado no Brasil e em outros países da América Latina na primeira metade do século XX.

Agora, o governo anuncia mais um corte na verba da saúde: R$ 2,5 bilhões. Valor correspondente ao que é gasto em dois dias com o pagamento da dívida a banqueiros e especuladores. Se as escolhas de Dilma fossem outras, o governo estaria recontratando como instrutores e monitores os antigos mata-mosquitos que foram demitidos por FHC. Estaria contratando emergencialmente pelo menos 1 milhão de pessoas para correr todas as casas, reservatórios públicos, piscinões, fontes etc. Estaria tomando medidas de controle, como lavagem, colocação de peixes que comem larvas e pulverização de inseticidas. Dinheiro para isso? Bastaria suspender o pagamento da dívida por um mês (R$ 32 bilhões) que haveria o recurso necessário. E muito mais para atender o conjunto das necessidades da população, com o não pagamento da dívida interna e externa.

De um lado, a saúde e a vida do povo. Do outro, os banqueiros e especuladores. Quem estava certo era Lenin: “O capitalismo é horror sem fim!”

Diferença entre Socialismo e Comunismo. Aprenda e não esqueça!



As expressões "comunismo" e "socialismo" recebem significados nem sempre muito precisos. Numa explicação bem resumida, daria para dizer que, segundo a teoria marxista (veja quadro ao lado), o socialismo é uma etapa para se chegar ao comunismo. Este, por sua vez, seria um sistema de organização da sociedade que substituiria o capitalismo, implicando o desaparecimento das classes sociais e do próprio Estado. "No socialismo, a sociedade controlaria a produção e a distribuição dos bens em sistema de igualdade e cooperação. Esse processo culminaria no comunismo, no qual todos os trabalhadores seriam os proprietários de seu trabalho e dos bens de produção", diz a historiadora Cristina Meneguello, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Mas essas duas expressões também pode assumir outros significados. "Pode-se entender o socialismo, num sentido mais limitado, significando as correntes de pensamento que se opõem ao comunismo por defenderem a democracia. Em contraposição, o comunismo serviria de modelo para a construção de regimes autoritários", afirma o historiador Alexandre Hecker, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Assis (SP). Os especialistas são quase unânimes em afirmar que nunca houve um país comunista de fato. Alguns estudiosos vão mais longe e questionam até mesmo a existência de nações socialistas. "Os países ditos comunistas, como Cuba e China, são assim chamados por se inspirarem nas idéias marxistas.

Contudo, para seus críticos de esquerda, esses países sequer poderiam ser chamados de socialistas, por terem Estados fortes, nos quais uma burocracia ligada a um partido único exerce o poder em nome dos trabalhadores", diz o sociólogo Marcelo Ridenti, também da Unicamp. Logo após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), formou-se na Europa, sob liderança da União Soviética, um bloco de nações chamadas de comunistas. "Esses países tornaram-se ditaduras, promovendo perseguições contra dissidentes. A sociedade comunista, justa e harmônica, concebida por Marx, não foi alcançada", afirma Cristina.

Democratização dos meios de Telecomunicações.



Em 19/11/2014, por ocasião de um editorial do jornal O Estado de SP contra uma Carta Aberta que dirigimos à direção do PT, a Esquerda Marxista expos sua posição sobre esta discussão imposta por reformistas de vários matizes chamada de “Luta pela democratização dos meios de comunicação”. http://www.marxismo.org.br/content/o-editorial-do-estadao-e-seu-ataque-carta-aberta-lula-dilma-e-ao-diretorio-nacional-do-pt

Como está para se reunir outra vez o Fórum sobre a democratização da comunicação, organizado pela CUT e outras entidades, publicamos um trecho daquele texto que expressa nossa posição de princípios sobre o tema.

A classe trabalhadora e a liberdade de imprensa

A Esquerda Marxista nunca propôs nem pretende “democratizar” ou estabelecer um “controle social” sobre os meios de comunicação burgueses. Assim, como não toleraríamos jamais qualquer “controle social” ou tentativas de “democratização” de jornais partidários, sindicais, proletários ou da juventude.

Estes jornais, inclusive os mais reacionários como OESP, a FSP, O Globo, Veja, etc., são instrumentos de propaganda e defesa política do sistema capitalista privados e devem viver, se puderem, do apoio de seus leitores. Suas posições, calúnias, falsificações e manipulações devem ser combatidas politicamente e se necessário judicialmente.

O que é incrível é que o PT e outros no governo reclamem dos jornais malcheirosos da burguesia e continuem a financiá-los com publicidade, desonerações e subsídios, tudo com dinheiro público. E pior, se recusem a ter um verdadeiro jornal de massas diário para combater essa mídia burguesa.

Óbvio que não fazem porque não tem o que dizer para interessar às massas, seu jornal seria quase um diário oficial de loas ao melhor governo do mundo. E ainda exporia os dirigentes do partido ao crivo diário dos militantes e isso esses dirigentes querem tanto quanto o diabo quer uma cruz.

A Esquerda Marxista afirma que as rádios e TVs, que são concessão de serviços públicos, devem ser estatizadas, em especial as religiosas (o Estado é laico!) e a Rede Globo, que é um quase monopólio constituído sob as bênçãos da ditadura e do dinheiro público.

A Esquerda Marxista tem a posição de Marx, Engels, Lenin e Trotsky sobre a defesa das liberdades democráticas, entre elas a defesa do direito à liberdade de imprensa. Sabemos onde pode acabar essa política aparentemente “progressista” e na realidade funesta para o movimento operário.

Mas, o jornal OESP quando fala contra a “democratização dos meios de comunicação” e o “controle social”, totalmente fantasiosos e impossíveis no regime capitalista, mas pretendidos por alguns, só está falando de seu direito de continuar a vender mentiras e manipular a opinião pública além de fazer seus lucrativos negócios.

Hoje, infelizmente, muitos militantes bem intencionados, irritados com as podridões publicadas pela imprensa burguesa, acreditam que um “controle social” destes órgãos seria correto e democrático. Isso não é de modo algum correto, nem democrático. Para exemplificar falemos de nós mesmos. Afirmamos que lutaremos com todas as forças se qualquer tipo de “controle social” tentar ser imposto ao nosso jornal Foice&Martelo, venha essa tentativa de controle de sindicatos, central sindical, ONGs, órgãos governamentais ou policiais diretamente.

Não existe imprensa imparcial

Todos os jornais são órgãos políticos e de classe, cada jornal é um partido político. No caso da imprensa burguesa ainda reúnem a qualidade de negócios para encher os bolsos dos acionistas. Não existe “imprensa imparcial”, todo órgão de imprensa defende os pontos de vista de seus organizadores e de uma classe ou fração de classe social. Como afirmou Lênin: “na sociedade burguesa, a imparcialidade não passa de uma expressão hipócrita, dissimulada e passiva dos membros do partido dos saciados, do partido dos governantes, do partido dos exploradores”.

Todos ensinamentos do marxismo provam a justeza dessa posição. Assim como Marx e Engels, Lenin e Trotsky, os comunistas sempre defenderam a liberdade de imprensa como algo central e que interessa profundamente a classe operária. Só os reacionários stalinistas negaram esse princípio para poder estabelecer seu próprio regime totalitário, assim como Hitler e outros burgueses supostamente democratas.

Em 1938, no México, o governo de Lázaro Cárdenas, nacionalista burguês que havia estatizado o petróleo e adotado outras medidas progressivas, começou uma campanha contra a “imprensa reacionária”. Lombardo Toledano, dirigente sindical stalinista e seus companheiros a apoiaram. Trotsky explicou o caráter reacionário desta campanha:

“... somente os cegos ou os débeis mentais poderiam pensar que como resultado da proibição da imprensa reacionária os operários e camponeses se livrarão da influência de ideias reacionárias. Na verdade, apenas a maior liberdade de expressão, de imprensa e de reunião podem criar as condições favoráveis para o avanço do movimento revolucionário da classe operária.

E essencial empreender uma luta incansável contra a imprensa reacionária. Mas os operários não podem permitir que o punho repressivo do estado burguês substitua a luta que eles travam por meio de suas próprias organizações e de sua própria imprensa. Hoje, o estado pode aparecer como bondosamente disposto em relação às organizações operárias; amanhã o governo pode cair e cairá inevitavelmente nas mãos dos elementos mais reacionários da burguesia. Nesse caso, qualquer legislação restritiva que exista será lançada contra os operários. Somente aventureiros que só pensam nas necessidades do momento seriam incapazes de levar em conta esse perigo.

O modo mais efetivo de combater a imprensa burguesa é ampliar a imprensa da classe operária.” (León Trotsky, a Classe operária e a liberdade de imprensa, agosto/1938)

A liberdade de imprensa, inclusive da mais reacionária como o Estadão, deve ser assegurada. Sua “censura democrática” só se justifica em caso de guerra ou de guerra civil, pois obviamente enquanto se luta com bombas e canhões contra um inimigo no Front não se pode ter na retaguarda um centro inimigo de propaganda e combate. Mas, esse é um caso extremo.

Como explica Trotsky no artigo citado “Tanto a experiência histórica como teórica provam que qualquer restrição à democracia na sociedade burguesa é, em última instância, invariavelmente dirigida contra o proletariado ...”

Situação Política do Brasil! Crise Lula, Dilma e Lava Jato. Melhor que House of Cards.



Um fato atrás de outro conduz o país à uma crise sem precedente há décadas. Só que desta vez todos os lados implicados, nas cúpulas, perderam a cabeça e o controle. Com razão os gregos diziam que, quando os deuses querem perder alguém, primeiro o enlouquecem. A espantosa crise econômica mundial e a incapacidade dos capitalistas em entendê-la, e menos ainda de como sair dela, está centrifugando partidos e instituições.

O Manifesto Comunista explica que a burguesia só tem dois meios para sair das crises, aumentando a exploração dos trabalhadores e destruindo forças produtivas. É isso que toda a burguesia exige hoje clamando por “reformas estruturais”.

Mas, para isso a burguesia, que declarou guerra ao proletariado, chegou à conclusão de que precisa remover o que considera um obstáculo em seu caminho. O PT lhe serviu bem em tempos de paz, mas apenas atrapalha em tempos de guerra.

O PT perdeu a capacidade de controlar as massas e prover “paz social”. E é incapaz de aplicar todas as chibatadas que o capitalismo necessita desferir no lombo das classes trabalhadoras. E só tem a oferecer aos trabalhadores mais privatizações, agora de todas as Estatais (PLS555, aprovado no Senado em 16/03), congelamento de salários, retirada de direitos e a Lei Antiterrorismo, que Dilma sancionou no mesmo dia que deu posse a Lula.

Mas uma enorme resistência proletária continua em todo o país. Greves de professores em vários estados, servidores municipais de inúmeras cidades, lutas e mobilizações, ocupação de fábricas em São Paulo, mostram que a classe trabalhadora está disposta ao combate. O que a atrapalha são os dirigentes sindicais adaptados ao capitalismo e governistas até a medula.

Há uma raiva latente em todo o povo contra tudo e contra todos, e que pode explodir a qualquer momento. E se os operários e jovens se perguntam “O que vai acontecer? Vão prender Lula? ”, é porque ninguém lhes explica que há uma outra via, além do caminho da oposição de direita e do caminho do governo: o caminho da independência de classe e da luta para resolver, por suas próprias forças, o que ninguém vai fazer por eles, que é abrir uma terceira via a golpes de mobilização e organização contra o capital e todos os seus representantes.

A crise se precipita

Nesse quadro a condução coercitiva de Lula para depor, flagrantemente abusiva e autoritária, moral e politicamente utilizada para impulsionar os atos do dia 13/03, iniciou um processo de aceleração da crise política.

A revelação do conteúdo da delação de Delcídio, que não poupa Dilma, Lula, Aécio, Renan e Cunha, nem os partidos PT, PMDB e PSDB, envolve o conjunto dos dirigentes das instituições burguesas governantes. Todas as instituições da Nova República, do Estado burguês, afundam na lama. O sentimento popular é com toda a razão de asco frente a tudo isso.

A decisão estúpida, do ponto de vista político, tomada por Lula, Dilma e a cúpula petista de fazer entrar Lula no governo como ministro provocou uma precipitação e agudização em todo o país, e em especial na burguesia.

A decisão de Lula é evidentemente a busca de um Foro Judicial privilegiado longe do juiz Moro, que age arbitrária e politicamente com objetivo, não de limpar o país da corrupção, mas de destituir o governo e liquidar o PT como partido político. Estúpida politicamente porque busca, com manobras palacianas, fugir do que só pode ser resolvido politicamente, na luta política de classes e de massa. Lula, com sua crença nas instituições burguesas, acredita que pode ganhar a guerra agindo nos corredores com manobras e astúcias. É o que pensa também sobre poder mudar a situação econômica com esperteza e habilidades pessoais. Agindo assim, só mostra sua mediocridade política e seu completo desconhecimento das leis da economia capitalista e sua descrença na classe trabalhadora e na luta de classes. É um homem completamente ganho, ideológica e moralmente, para o capital, sua falsa democracia e suas apodrecidas instituições.

O que é a Operação Lava Jato

Essa operação política é uma cruzada do aparelho judiciário do Estado burguês para destruir as organizações a quem a burguesia não quer reconhecer o direito de existência e para criminalizar toda luta social e de defesa de direitos e reivindicações. O Estado de Sérgio Moro é o Estado totalitário vestido de toga e que aplica a lei apenas contra seus inimigos de classe. No fundo, ele desvenda o que é o judiciário e para que são feitas as leis na democracia dos capitalistas.

A Operação Lava Jato é um instrumento político deste combate contra as liberdades democráticas, disfarçado de luta contra a corrupção. A divulgação das gravações telefônicas da comunicação entre Lula e Dilma afronta a própria legalidade burguesa e mostra que o Estado e a sociedade de Moro é o mundo do Big Brother, o mundo totalitário descrito por George Orwell.

Por isso não se trata de “apoiar as investigações de corrupção”, porque não é disso que se trata. Como escreveu corretamente Vladimir Safatle “Não há solidariedade possível com governos, como os dois últimos (Ele está falando de FHC e Lula/Dilma, nota nossa), que usaram sistematicamente da corrupção do Estado e cujos maiores operadores mostram marcas de enriquecimento ilícito.

Mas não haverá mundo pior do que aquele no qual alguns são punidos pela corrupção enquanto outros podem corromper impunemente.

Até agora, é para este mundo que a Operação Lava Jato está a apontar”. (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2016/03/1748496-da-arte-de-sujar-o-que-se-lava-a-jato.shtml).

A corrupção espalhada por todo o aparelho de Estado, por todas as grandes empresas, por todos os partidos burgueses, pelo Congresso Nacional e no Judiciário (O “japonês da PF” não acaba de ser condenado por corrupção pelo STJ?!), mostra um país levado ao caos pelos capitalistas e seus serviçais.

No capitalismo não há almoço de graça

O pano de fundo desta crise política é a crise econômica internacional e nacional. A maior desde 1929 e que não tem data para terminar. A farsa do “Brasil blindado”, do suposto Brasil capitalista florescente num mundo capitalista em crise, assim como do “Brasil, potência mundial”, que iria suplantar Alemanha e Reino Unido entre os grandes, acabou. Farsa e fraude que respirou brevemente, sustentada pela entrega do país ao capital internacional e pelo endividamento generalizado pessoal, corporativo e público.

As relações promíscuas de Lula e da direção do PT com as empreiteiras e empresários de todo tipo são relações corruptas até a medula e indignas de qualquer um que se declare socialista ou de esquerda, ou mesmo simplesmente da classe trabalhadora. O enriquecimento pessoal às custas do esforço que fizeram milhões de trabalhadores e jovens para construir o PT e levar Lula à presidência é uma bofetada no rosto de toda a classe. De modo algum, essa gente pode ser defendida das acusações de corrupção.

É justa a declaração de Olívio Dutra ao falar sobre o sítio em Atibaia e o tríplex na praia “Quem exerce cargos importantes sabe que os antigos inimigos se transformam em amigos. Alguns continuam sendo amigos porque ainda acham que tu podes exercer influências. Se aproximam, fazem gestos, buscam levar para uma festa, para um coquetel, uma viagem. Nada disso é de graça, tudo faz parte da trampolinagem política. Então, tem que ter a pulga atrás da orelha. O Lula não tem nada de ingênuo”. (http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,quero-que-o-pt-saia-da-inhaca-em-que-se-meteu,10000019744). Como se sabe no capitalismo nada é de graça. “Não existe almoço de graça” disse Alan Greenspan, ex-presidente do FED.

As manifestações e a falsa “Operação Mãos Limpas” de Sérgio Moro

A operação de divulgação do grampo telefônico da presidente do país, de Lula e o anúncio de sua nomeação foram a deixa para a Globo e toda a imprensa burguesa (rádio, TV e jornal) convocarem as manifestações de 16/03, assim como as de 17/03. A situação se precipita.

Mas, nestas manifestações não compareceram as massas. Em 13/03, o perfil dos manifestantes oferecido pela pesquisa Data Folha é absolutamente claro. Predominantemente alta e média pequena-burguesia reunida pelo capital, convocada por grandes empresas, partidos de oposição de direita e a mídia. Eles reuniram aí a “sua gente”. O ponto de encontro e palanque da avenida Paulista é a FIESP. E isso já diz tudo.

Nas manifestações de 16 e 17/03, compareceram apenas pequenos grupos enfurecidos contra o governo e pequenos grupos defensores do governo. Nem um nem outro representam grandes massas. E, muito menos qualquer um deles tem o poder de convocar as massas trabalhadoras que seguem toda a situação enojadas e desconfiadas. Nem o governo, nem a oposição aparecem como saída para os trabalhadores e para a juventude.

O fato de Alckmin, Aécio, Marta Suplicy, o Secretário de Segurança de SP, os deputados de oposição em Brasília, todos saírem corridos das manifestações tem um significado. A maioria do povo não suporta mais nenhum dos políticos e seus partidos. Consideram todos corruptos, perdidos e irrecuperáveis.

O fato mais significativo de todas as manifestações do último ano até agora é o surgimento do apoio crescente ao juiz Moro, como uma tábua de salvação para os setores contra o governo, e que pode vir a se tornar um fenômeno popular se este farsante não se destrói sozinho antes.

A fraude política armada e toda atuação de Moro é uma repetição do que foi feito na Operação Mãos Limpas, na Itália, e depois pelo juiz Baltazar Garzon, na Espanha. Frente à falência geral das instituições, as massas sem saída podem se agarrar num herói do “neutro” e “apolítico” do aparato judiciário. O resultado disso seria também uma farsa política e acabaria em tragicomédia, como terminou na Itália e na Espanha. A Operação mãos limpas, na Itália, resultou em Berlusconi e em Beppe Grillo, uma espécie de Tiririca local. Não há saída política sem a luta política entre as classes expressa em partidos e programas, por mais confusos que sejam.

A maioria da burguesia se alinha contra o governo

Desesperada com a incapacidade e paralisia do governo, a maioria da burguesia brasileira resolveu terminar com o governo Dilma através de medidas legais, impeachment ou cassação. Esta é a modificação central na situação. Este governo que cada dia se autodesmoraliza ainda mais tem que lutar para sobreviver e seu futuro não é brilhante. Todas as grandes organizações patronais clamam pelo impeachment.

Os gritos de “Golpe! Golpe! ” são a defesa deste governo que se apoia inteiramente na “legalidade democrática” de ser um governo eleito. Acontece que isso nada ou pouco tem a ver com democracia. Um governo que tem 11% de apoio já deveria ter desaparecido segundo a democracia do mandato. E tem 11% como fruto de um flagrante estelionato eleitoral cometido abertamente. A maioria do povo gostaria de se livrar deste governo imediatamente. Só que não tem o que colocar no lugar e por isso está paralisado. A oposição não tem sua confiança.

Um governo minoritário entre as massas, em minoria no Congresso, não pode alegar golpe se seu mandato é interrompido. Não é democracia ficar quatro anos governando na situação deste governo Dilma/Lula. As regras da democracia burguesa, fixadas pela burguesia, só são um fetiche para os próprios burgueses. Mas, mesmo assim, quando necessário, as ignoram completamente e não têm nenhum escrúpulo. Só quem morre obcecado por elas são os reformistas.

Um golpe tem um significado de que uma minoria derruba os representantes da maioria. Se a maioria, ou seus representantes, derrubam os representantes da minoria, isso não é golpe, é revolução. Nesse momento nem um nem outro existem no Brasil.

Esse Congresso de corruptos também não tem nenhuma legitimidade popular para derrubar um governo em nome da maioria, que ele não representa, nem em nome da democracia e da luta contra a corrupção.

Não há golpe, portanto, em curso no país, mas um aprofundamento brutal da crise política e que caminha para a queda do governo e sua substituição por outro também frágil e de crise. Nem governo, nem oposição de direita, representam a maioria do povo. O povo não tem representação política em que se agarrar. Terá que construi-la a duras penas.

A Esquerda Marxista considera que está descartada, hoje, a possibilidade de um golpe do tipo militar. As Forças Armadas (FFAA) não têm coesão para isso. Essa não é a política do capital internacional, e uma tentativa de golpe militar poderia cindir as FFAA, que não têm boa memória sobre como o governo FHC tratou as próprias FFAA (cortes de orçamento, sucateamento, etc.).

E não há no Brasil outra força reacionária estruturada nacionalmente capaz de substituir o exército e dar um golpe ao estilo militar ou fascista. E não há base social para um partido fascista hoje no mundo. Partidos de extrema direita podem surgir, mas como partidos de direita parlamentar. O fascismo é outra coisa, uma força fascista extraparlamentar de ataque à classe operária e suas organizações.

Os grupos anônimos e que agem na escuridão atacando sedes da CUT, da UNE e diretórios do PT são grupos ultraminoritários e impotentes. São desesperados cuja força e coragem só permite agir na escuridão e que o fazem porque as direções sindicais e políticas de esquerda não organizam a defesa conforme métodos proletários. Pelo contrário, vão pedir que o Ministério Público, que a Polícia os proteja, demonstrando todas suas ilusões e desarmando os trabalhadores. É preciso que a CUT, a CTB, a Conlutas e as Intersindicais, todos os sindicatos, os movimentos sociais, se articulem e organizem a defesa unitária com métodos proletários, comitês de vigilância e defesa baseados em trabalhadores politicamente organizados.

A saída dos trabalhadores e da juventude

Assim tudo se resume a um jogo de braço entre três poderes corroídos pela corrupção e pela incapacidade de apresentar uma saída para o país, exceto a austeridade e o ajuste. Um governo burguês pós impeachment, ou cassação, seria um governo de crise tal qual Dilma, ou mais ainda.

É por isso que a Esquerda Marxista, ao mesmo tempo que não apoia o governo e combate sua política, não apoia nenhum impeachment e nem cassação. Nós preferimos que todas estas frações em luta nas cúpulas continuem se paralisando, se digladiando e se desmoralizando politicamente, enquanto os trabalhadores se recompõe do golpe dado pelo PT e obrigam os sindicatos e as organizações populares a se colocar na linha da unidade contra a política de ajuste e em ruptura com o capital, abrindo assim uma saída para a constituição de uma Assembleia Popular Nacional Constituinte, um Governo dos Trabalhadores e a tomada de todas as medidas revolucionárias necessárias contra os capitalistas nativos e internacionais.

Reafirmamos: A Esquerda Marxista está nas ruas e nas lutas com os trabalhadores e, portanto, nada tem a fazer nos atos do dia 18 que defendem Lula ou este governo. Se Lula e o PT querem apoio das massas e o nosso, precisam antes retirar todas as medidas que atacam os trabalhadores, começando pelas levantadas pela marcha prevista para 31/03. Eles devem romper com o capital e se dispor a governar com as massas e atender as reivindicações populares. Isso exige, antes que nada, a ruptura com o pagamento das monstruosas Dívidas Interna e Externa controladas pelo capital financeiro. O dinheiro está lá!

Nenhum deles perde por esperar. Estaremos no dia 31 em Brasília com as nossas bandeiras, pela construção de uma saída para a atual situação, que nada tenha a ver com a direita e nem com os reformistas desmoralizados. A classe vai encontrar um caminho político para sua resistência como está fazendo, de uma forma ou outra em todo o mundo. E um dia vai acabar com a corrupção, colocando toda a economia sob controle coletivo dos trabalhadores!

Nossa luta é contra a Reforma da Previdência, contra o ajuste fiscal, pelo não pagamento da Dívida Interna e Externa, pela estabilidade no emprego, por uma Assembleia Popular Nacional Constituinte e um Governo dos Trabalhadores.

princípio do Terceiro Excluído.


*Princípio do Terceiro Excluído, segundo o professor da UFOP Desidério Murcho, no Dicionário Escolar de Filosofia:
Chama-se “princípio do terceiro excluído” à ideia de que, para qualquer afirmação P, é verdade que P ou não P. Ou seja: o princípio declara que não há uma terceira possibilidade, entre P e não P, seja qual for a afirmação. Por exemplo: relativamente à afirmação “Sócrates é alto”, só há estas duas alternativas: “Sócrates é alto” ou “Sócrates não é alto”. Quando uma lógica aceita o princípio do terceiro excluído significa que qualquer afirmação com a forma “P ou não P” será uma verdade lógica. Algumas lógicas modernas recusam este princípio, como é o caso da lógica intuicionista. Não se deve confundir o terceiro excluído com o princípio da bivalência: este último é a ideia de que só há dois valores de verdade e que todas as proposições têm um dos dois, e só um dos dois. A relação precisa entre o terceiro excluído e a bivalência é objecto de disputa filosófica. Não se deve também pensar que o terceiro excluído é de alguma maneira um AXIOMA da lógica clássica; na verdade, é um resultado, um ponto de chegada, e não um ponto de partida.

terça-feira, 15 de março de 2016

A Religião é o Ópio do Povo.

Para começar vamos a uma citação de Marx 

"O fundamento da crítica irreligiosa é: o homem cria a religião; não é a religião que cria o homem. E a religião é, bem entendido, a autoconsciência e o auto-sentimento do homem que ainda não é senhor de si mesmo ou que já voltou a perder-se (. ..) A religião é o soluço (o suspiro) da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, o espírito de um estado de coisas carente de espírito. A religião é o ópio do povo. A abolição da religião enquanto felicidade ilusória do povo é uma exigência que a felicidade real formula. Exigir que renuncie às ilusões acerca da sua situação é exigir que renuncie a uma situação que precisa de ilusões. A crítica da religião é pois,em germe, a crítica deste vale de lágrimas de que a religião é a auréola.»


Marx considera que a religião é uma forma de alienação. Nela verifica-se a fractura entre o mundo concreto e um mundo ideal, entre o mundo em que o homem vive e o mundo em que ele desejaria viver. Por que razão surge esse mundo ideal? Marx diz que o mundo celeste é o resultado de um protesto da criatura oprimida contra o mundo em que vive e sofre. Ou seja, procura-se um refúgio no mundo divino porque o mundo em que o homem vive é desumano. Num mundo em que "o homem é o lobo do homem", não há "família humana", o homem não se sente neste mundo como em sua casa.
A procura de uma família celeste deve-se à perda da família terrestre, à separação do homem do seu semelhante. 

São essencialmente as degradantes condições materiais de vida, a exploração do homem pelo homem, com o consequente desprezo pela vida humana, que levam o homem a sentir-se órfão na terra e a procurar um pai no céu.
O mundo religioso, o "Reino de Deus", não tem consistência própria, não é verdadeiramente real. É um "reflexo" de degradantes condições materiais de vida, da opressão da grande maioria dos homens por outros. É a "flor imaginária" que decora os grilhões que oprimem os explorados; é o "suspiro" de quem se vê degradado na sua humanidade, transformado em objecto e máquina produtiva que quanto mais enriquece os exploradores mais se empobrece a si mesmo. Segundo Marx, da religião o homem não pode esperar a sua libertação e emancipação. Ela é um "sintoma" da desumanidade do mundo dos homens e não o remédio para esse mal. Mais do que isso, ela é um "ópio", um produto tóxico, que entorpece, aliena e enfraquece porque a esperança de consolação e de prometida justiça no "outro mundo" transforma o explorado e oprimido num ser resignado, tende a afastá-lo da luta contra as causas reais do seu sofrimento.
Marx sempre considerou a religião como uma super - estrutura, i. e., uma dimensão que reflete e é condicionada pela infra-estrutura de uma determinada sociedade, ou seja, pelo modo como se verificam as relações entre os homens no processo económico ou produtivo.
Nesse processo produtivo há uma classe dominante: aquela que detém a propriedade privada dos meios de produção (instrumentos, máquinas, fábricas, etc.) e que por isso submete ao seu poder aqueles que não podendo produzir por si mesmos a sua subsistência têm de vender a sua força de trabalho. A exploração do homem pelo homem tem a sua raiz no facto de a propriedade dos meios que permitem produzir e assegurar a subsistência ser privada e não social, i. e., de alguns e não de todos. Ora, segundo Marx, as ideias dominantes (religiosas, filosóficas, morais, etc.) são o reflexo ou, pelo menos, são condicionadas pelos interesses económicos da classe materialmente dominante. Assim, a religião é um instrumento que, apesar de apelar à benevolência dos poderosos, ao apresentar o Céu como lugar da justiça e da compensação, justifica o estado de coisas existentes, o domínio de uma classe sobre outra. A ilusão de um mundo transcendente e justo serve para que as injustiças se perpetuem na sociedade humana. Por isso, segundo Marx, não basta criticar a religião: é preciso não só criticar a raiz material (a alienação do trabalho, a exploração económica) da alienação religiosa, como também eliminar revolucionariamente as condições de miséria terrestre das quais deriva a necessidade do "mundo celeste".
Atacar directamente a miséria terrestre (a alienação económica) é destruir indirectamente a necessidade do mundo celeste.

Em síntese, a religião é uma criação humana, assim como deus(es) também o são. A religião é criada como uma válvula de escape da real condição da sociedade. 
Ter esperança em uma vida melhor em um lugar em que as injustiça e a exploração selvagem já não existem é censurável já que tal esperança faz com que muitos aceitem a situação deplorável em que se encontra a maioria da população mundial. 
Por fim, podemos concluir que a religião é sim um instrumento de alienação capitalista que incita os proletariados a aceirem o status quo em troca de uma vida transcendental melhor. Por assim dizer, é semelhante a pior droga alucinógena, a que aquele indivíduo na sargeta recorre para tentar amenizar a sua situação e por alguns segundos gozar de algo melhor, mesmo que isso não mude a sua situação. Enfim, A religião é o ópio do povo. 


As manifestações burguesas.

Os três grandes jornais burgueses se apresentaram nesta segunda como a burguesia e seus políticos, divididos. Cada um pensa uma coisa diferente. Apresentaram três editoriais distintos. O Estadão continua na linha de tirar Dilma o mais rápido possível. Sua palavra de ordem é “Impeachment Já!”. A Folha diz que “a palavra está com a presidente. Os atos superaram as previsões mais pessimistas do Planalto... o país permanece dividido – e numa crise que, de uma forma ou de outra, é urgente superar”, ou seja, gostaria de uma renúncia. O Globo não conseguiu chegar a nenhuma conclusão sobre o que fazer. Parece estar em outro mundo e discute sobre a prisão (ou não) de condenados em segunda instância. Todos eles dizem que as manifestações deste domingo foram maiores que as Diretas Já e teriam sido “as maiores manifestações do Brasil”. Mentem como sempre. Inflam os números e dizem o que desejam que tivesse acontecido. As manifestações das Diretas Já foram realizadas há 32 anos atrás e colocaram milhões nas ruas em todo o Brasil. As manifestações do “Fora Collor” foram ainda maiores. E milhões estiveram nas ruas em junho de 2013. Como sempre, a PM e a imprensa diminuem pela metade as manifestações militantes e duplicam as atuais manifestações aguadas.
Aliás, esta é uma diferença brutal. As manifestações militantes pelas Diretas Já, Fora Collor e de junho de 2013 tiveram a capacidade de mudar a situação política no país. De abrir um novo momento político
As atuais manifestações pelo impeachment são desnervadas e se dissolvem como pó logo após seu encerramento. A grande diferença é de classe. As manifestações deste domingo foram convocadas por grandes empresas, federações patronais, Associação Nacional de Médicos, jornais burgueses e partidos. Todas as TVs se dedicaram a convocar e divulgar em transmissão permanente, PSDB, DEM, PPS, Solidariedade e outros se lançaram com força. E reuniram uma numerosa pequena burguesia que tem visto seu padrão de vida ameaçado e que, desiludida e chocada com o aprofundamento da crise, destila seus preconceitos de classe e sua raiva impotente. Mas, também nestas manifestações, que só existem por causa da traição da direção do PT e seu governo, se expressou a raiva contra toda a corrupção e contra todos os políticos e suas instituições. Alckmin e Aécio foram hostilizados e postos para fora na Avenida Paulista. A trânsfuga Marta Suplicy teve que sair corrida. E isso Brasil afora. Por todo o país se viam cartazes contra o PT e o PSDB ou contra todos os políticos. O caráter destas manifestações aparece nas pesquisas feitas pela Folha e pela Veja. Elas mostram que, apesar dos atos terem crescido, eles continuam sendo uma reunião da pequena burguesia e de camadas médias, insufladas pela grande burguesia e sua mídia.

Os dados da Folha mostram que a idade média dos participantes era de 45,5 anos, 77% tinha cursado universidade, e 63% com renda superior a 5 salários mínimos, enquanto a maior parte da população no país ganha até 5 salários mínimos (72%). Estes números revelam que, amplamente, a classe trabalhadora e sua juventude não foram arrastadas pela propaganda enganosa e não aderiram ao chamado para os atos. Mas, este não é o maior problema para os dirigentes da classe dominante. As vaias que os políticos dos partidos burgueses, principalmente a clara hostilidade contra o PSDB, são um mau presságio para suas saídas “institucionais” (Impeachment, cassação, etc.). A pesquisa da Veja entre os manifestantes deixa esta situação mais às claras: mais de 78% querem novas eleições e apenas 11% acham que o vice, Michel Temer, deveria assumir (que é o resultado se houver impeachment). 65% acham que a oposição não está cumprindo nenhum papel positivo na crise e 91% acham que há membros dos partidos de oposição envolvidos nos escândalos de corrupção (a taxa para Dilma e Lula é de 99%). Os manifestantes convocados pela burguesia, cuja maioria votou a favor de Aécio, acham que a oposição de direita é quase tão corrupta quanto o governo Dilma. Aí está o dilema da burguesia. A questão “com Dilma está ruim, mas quem pode entrar no lugar dela? E o que pode acontecer?” virou um pesadelo para essa gente. Não é à toa que o PMDB resolveu pensar mais 30 dias antes de desembarcar do governo. Os trabalhadores e a juventude estão observando toda esta situação. A maioria condena toda a corrupção e a política do governo. E não está disposta a defender um governo e um partido que traiu o seu voto e a sua confiança e que está aplicando uma política de ataques à classe trabalhadora. Como defender a Lei “Antiterrorismo”, instrumento de criminalização dos movimentos sociais, o ajuste fiscal com cortes em áreas sociais, mais privatizações e mais Reforma da Previdência aumentando a idade mínima e anunciando congelamento do Salário Mínimo e novos impostos?
Assim, muito provavelmente os atos do dia 18 chamados pela Frente Brasil Popular (PT, PCdoB, CUT, UNE, MST e outros) não terão muita força. Os jovens e professores que fazem manifestações diárias no Rio em defesa da educação e dos seus salários dificilmente irão. Os operários que estão ocupando fábricas no interior de São Paulo também não. Os trabalhadores com razão sentem-se traídos pelos antigos dirigentes e não estão dispostos a defendê-los. A Esquerda Marxista está nas ruas e nas lutas com os trabalhadores e, portanto, nada tem nada afazer nos atos do dia 18 que defendem este governo. Nossa condenação, nossa acusação contra as investigações da Lava Jato é de que ela é um instrumento de ataque às liberdades democráticas e de criminalização das organizações dos trabalhadores e da juventude sob a capa de combate à corrupção do PT. E, de fato, de acobertamento de todos os políticos e partidos burgueses corruptos. O judiciário não é neutro. Ele tem lado e tem classe. É um instrumento da burguesia e seu Estado para garantir a opressão e a exploração da classe trabalhadora. E hoje o judiciário e sua polícia estão na frente do ataque contra as organizações dos trabalhadores e da juventude, contra as liberdades democráticas. Eles não nos enganam com sua falsa moral e suposta neutralidade. Eles são a espada que pretende cortar todas as cabeças da esquerda para poder descarregar nas costas da classe trabalhadora o custo catastrófico desta gigantesca crise que eles mesmos criaram. Eles não perdem por esperar. Estaremos no dia 31 em Brasília com as nossas bandeiras, pela construção de uma saída para a atual situação que nada tem a ver com a direita e nem com os reformistas desmoralizados. A classe vai encontrar um caminho político para sua resistência como está fazendo, de uma forma ou outra em todo o mundo. Nossa luta é contra a reforma da previdência, contra o ajuste fiscal, pelo não pagamento da dívida, pela estabilidade no emprego, por uma Assembleia Popular Constituinte e um Governo dos Trabalhadores.


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